Mallu na Crumbs/2009

Tente pensar nas adolescentes. Você já foi adolescente e já achou as Chiquititas o máximo. Mas isso foi há quase 20 anos, e não havia internet, o seu computador era de brinquedo e a MTV só existia na TV paga. Mas mesmo assim tu comprava as bonecas, cadernos e mochilas das Chiquititas. Uma menina nos seus 15 anos de idade naquela época não virava um fenômeno popular por ser esquisitinha e tocar “neo-folk”. Muito menos apareceria no Faustão. Isso, Faustão.

Ligar na TV Marinho no Domingo à tarde é de se esperar assistir a atores globais dançando, moças de mini-trajes executando coreografias e o Jota Quest relembrando músicas da Jovem Guarda. O que fazer quando, em vez disso, tem uma menina de 15/16 anos com um violão, uma banda de caras barbados e tentando (tentando…) parecer com o Bob Dylan? Enfatizando: No Faustão. A guria tem currículo: um puta auê na internet, virar habitué da MTV, ceder composição pra comercial da Vivo, não é pouca coisa. Ainda assim, apesar de ser “pop”, ela não é Pop, com P maiúsculo. Madonna é Pop, Michael Jackson é Pop, Jota Quest e Daniel são Pop. Mallu Magalhães não é Pop.

Ela ainda habitava um universo muito restrito – MTV, Internet e música de comercial (ta cheio de comercial com música legal que a gente não conhece) – agora, foi apresentada ao povão, na acepção mais generalizada do termo. É difícil o povão gostar, porém, em uma massa de milhões sempre há indivíduos malatendidos em segmentos culturais. Gente que nem sabe o que é esse tal de “neo- Folk”, mas se identifica. Apareceu aquela menina, novinha e já fazendo sucesso, cabelos e roupas esquisitas e um som diferente que nunca ouvi, “me identifiquei”.

O rock também era esquisito quando apareceu. E no pacotão Mallu vem tudo que ela já mencionou em entrevistas e onde ela já foi mencionada – as tags: Vanguart, Dylan, Johnny Cash. Depois da ovelha negra do hardcore, o emocore, será que vamos assistir ao nascimento do Frankenstein do indie-folk alternativo? Os antigos fãs podem falar mal, mas continuam falando de Mallu Magalhães.

/// Ariel Cardeal

Artigo escrito sobre a aparição de Mallu Magalhães no programa

Domingão do Faustão de 09/03/09.

Tava fazendo a limpa nuns arquivos e achei esse texto que escrevi em 2009 pra primeira (e única) edição da Crumbs Magazine, uma revista que fiz na faculdade com uns colegas, sob a regência da Camilinha Beaumord. Apesar de curta (tanto em tamanho quanto em duração), foi uma experiência bacana. E como as coisas mudam em 2 anos, hein?

Na mesma edição a Bruna falava da mixtape do Little Boots, a Pamyle da Mafalda, a Nubia contava da sua passagem pelo Festival Psicodália e a Camila assinava um texto sobre Richard Fariña e Vik Muniz. Onde achamos anúncios tão criativos? Tudo produzido em aula. Tu pode baixar no Issuu ou no Scribd aqui em baixo:

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