numa conversa com deus, ou o diabo

Numa conversa com deus ou o diabo:

– Quantas intenções você tem aí?

– Nenhuma que valha a pena. Quatro pra uma.

– Teus olhos não te deixam mentir. Suas intenções tão na cara.

– Elas me custam os olhos. Nesse negócio não tem como enganar o cliente. O tráfico de intenções sempre foi mais perigoso que o tráfico de influências, ele o precede. Te descobrem logo como bem ou mal intencionado. Sabe dissimular?

– Pra quê?

– Cada um sabe o que faz com suas intenções, mas a dica que eu dou é saber dissimular as intenções. De boas intenções o inferno tá cheio.

– Não são os julgamentos morais, mas a tal da consciência que pesa. Um diabo matreiro que confunde o jogo das recompensas. Elas aparecem no jogo antes da rodada terminar, deixando o pobre sujeito perdido munido apenas de suas intenções. E aí ele cai, com o espírito pesado, embora esteja na maior das boas intenções. Sei bem.

– Um bom jogador vai na direção oposta das recompensas. É assim ele chega mais perto delas.

– Pra citar Wado: “Uma ode ao que não é necessário, a sofisticação de inutilidades. Seguimos vivendo os dias, adaptando os planos. O jogo não começa agora, está valendo há muito tempo. Desde a primeira partida, campeonato longo. Gostamos de jogar com graça. E, sempre que dá, de manter intactas as canelas dos outros. Necessidades desnecessárias.”

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