a vida é uma cidade

Nossas vidas nunca serão como a gente gostaria que fosse. É tudo construído aos trancos e barrancos.

Olhando pra vida sob o viés da arquitetura: construímos nossas relações, com o mundo e com as pessoas, assim como crescem as cidades. A gente vai empurrando os problemas com a barriga, deixando pra resolver depois nossos assuntos mais periféricos, dando importância praquilo que julgamos ser mais importante pro resto de nossas vidas.

Somos seres urbanos, expandindo nosso olhar pro mundo de acordo com as necessidades que se apresentam neste ou naquele tempo-espaço. Dessa maneira, vamos construindo uma mescla de soluções, umas por cima das outras, mudando e combinando-se de acordo com a mutabilidade de nossos problemas. Acontece de maneira semelhante aos aglomerados urbanos, talvez em outra escala. No macro, uma metrópole, no micro, uma casa sempre por terminar.

Mas, de onde veio a ideia de que seria melhor planejar a vida dentro de condições ideais de “temperatura e pressão”? Nem sempre uma cidade planejada é a melhor pra se viver, porque assim ela não se permite às descobertas randômicas que só os ajuntamentos babilônicos favorecem.

É o homem que organiza a vida ou a vida que organiza o homem? Planejando ou não, cuide bem dos casarões antigos. E ponha mais luz nos becos e vielas.

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