A fome da fama.

A vida pública é uma característica fundamental da celebridade (ou: pessoa conhecida em muitos círculos sociais, mesmo sem um vínculo direto, geralmente pela mediatização da imagem).

Quando sua identidade vira um modelo passível de ser replicado por aí, seus hábitos podem virar interesse de uma (ou mais) comunidades as quais você não tem vínculos diretos. E por quê? Por causa da empatia (consequência da sua simpatia) que existe entre os membros dessa comunidade e a imagem que é veiculada de você. Isso pode ser explicado pelos mesmos motivos do storytelling: é o storytelling da sua vida.

Pois bem, e o que aconteceria se o poder de mediatização de si estivesse ao alcance de qualquer com uma webcam, um computador e uma conexão com a internet? Opa…

Disse bem Guy Debord quando sentenciou: “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.”

Nos comunicamos pra manter um fluxo contínuo de informação a fim de construir nossas identidades. Tudo o que é lido, escutado, e percebido pelo nosso cérebro é decodificado e  re-codificado a fim de dar um sentido àquilo pra dar um novo sentido à informação e transformar isso em conhecimento. Essa recodificação é o que constitui nossa identidade.

Hoje, essa comunicação acontece boa parte do tempo por telas. É a relação entre nós e as telas, que nos servem como espelhos: vejo algo e sinto necessidade de decodificar aquilo por empatia ou estranheza. É tudo uma relação do cérebro com o exterior.

Ultimamente estamos nos dando conta de que essa relação com os outros funciona de forma hierárquica, mas horizontal, de acordo com o poder de influência que se consegue nesse ou naquele grupo. É o poder da “transação social”, de conseguir transitar por estes círculos sociais negociando laços sociais, afrouxando uns pra apertar uns outros (não conseguimos manter mais que 150, não adianta.)

Mesmo em rede, há competição (é um processo social indissociável das redes, junto com conflito e cooperação). Mas competição pelo quê? Pelo poder de influência social no maior número de círculos possível, o que seria possível pelo controle da própria imagem em circulação, moeda de troca nas comunidades humanas atualmente. Olhando por esse viés, Narciso ainda era muito ingênuo ao reservar para si o direito de admirar a própria imagem. Bem, talvez Carolina Dieckmann também.

(Duas referências sobre o assunto: “A Espetacularização da Identidade Virtual nas Redes Sociais” e a revista Trip desse mês de maio de 2012, cuja matéria da capa, sobre anonimato, é do José Arbex Jr. Anexo o link assim que for liberada no site.)

(A imagem é do Eduardo Sancinetti.)

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