diga lá

O jardineiro da empresa sempre foi um cara reservado. Falava pouco, funcionário exemplar, nunca chegara atrasado e tinha um trato especial com as plantas, sempre respeitado por todos ali dentro, apesar de sua função simplória não interferir no trabalho do escritório. O gerente achou estranho quando ele chegou e disse “tenho uma coisa pra te falar.”

Se os gerânios precisavam de mais adubo ou se precisava plantar mais tulipas, por que não dizia logo? Esperava agora como o mesmo suspense aquele homem que fazia parte da hierarquia mais baixa da empresa.

A secretária anunciou sua entrada.

“Tenho uma coisa pra te falar.”

“Diga seu Antônio, tenho uma reunião em quinze minutos.”

“To comendo sua mulher.”

(conto escrito pra oficina de contos do SESC em 2010, com Tabajara Ruas.)

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