“Como se fosse um labirinto” de Ronaldo Correia de Brito

Isso aqui anda meio parado ultimamente – mais por causa do ritmo frenético de trabalho do que pela falta de conteúdo – mas uma vez algum sujeito me disse em algum lugar pra eu sempre dedicar um mínimo do meu tempo a projetos pessoais.

Acho que o mais importante é celebrar a descoberta dessa nova cidade (que é quase nova todo dia) que é São Paulo. Fica aqui um trecho do texto do Ronaldo Correia de Brito publicado na revista Efêmero Concreto #2:

De nada valera os esforços de tornar impermeáveis as fronteiras, elas se moviam como dunas no deserto. Sim, gostava de vigas crescendo em edifícios, mas desgostava–se quando exorbitavam em fortalezas, impedindo o livre trânsito dos homens. Sua gente não devia esquecer as lições dos guetos, jamais levantar novos muros contra a inércia natural do mundo, a lei que garante que na ausência de forças um corpo em repouso continua em repouso, e um corpo em movimento continua em movimento.

A foto é de Buenos Aires, não é de São Paulo, mas é daqui.

a vida é uma cidade

Nossas vidas nunca serão como a gente gostaria que fosse. É tudo construído aos trancos e barrancos.

Olhando pra vida sob o viés da arquitetura: construímos nossas relações, com o mundo e com as pessoas, assim como crescem as cidades. A gente vai empurrando os problemas com a barriga, deixando pra resolver depois nossos assuntos mais periféricos, dando importância praquilo que julgamos ser mais importante pro resto de nossas vidas.

Somos seres urbanos, expandindo nosso olhar pro mundo de acordo com as necessidades que se apresentam neste ou naquele tempo-espaço. Dessa maneira, vamos construindo uma mescla de soluções, umas por cima das outras, mudando e combinando-se de acordo com a mutabilidade de nossos problemas. Acontece de maneira semelhante aos aglomerados urbanos, talvez em outra escala. No macro, uma metrópole, no micro, uma casa sempre por terminar.

Mas, de onde veio a ideia de que seria melhor planejar a vida dentro de condições ideais de “temperatura e pressão”? Nem sempre uma cidade planejada é a melhor pra se viver, porque assim ela não se permite às descobertas randômicas que só os ajuntamentos babilônicos favorecem.

É o homem que organiza a vida ou a vida que organiza o homem? Planejando ou não, cuide bem dos casarões antigos. E ponha mais luz nos becos e vielas.