a imodéstia do artista do século

Pra contextualizar: imagine um ambiente permeado pela troca cultural, uma época em que a “população” de artistas triplicará (no mínimo), porque de repente todo lugar e momento se converte em galeria/exposição diante da indistinção do público/privado. E não é a população que cresce literalmente, mas a possibilidade de criar. Pense nos milhares de fotógrafos de celular, nos designers autodidatas, nos djs caseiros, na Escola de Artes Cênicas do Youtube ou na galeria de arte contemporânea da Rua. Como vamos lidar com isso nos próximos anos? Não é o artista o arauto dos novos tempos, o radar da humanidade?

(acima, o programa responsável pelo parto desse texto)

Essa explosão repentina de gente criando, fazendo coisas novas, recriando e conversando faz surgir uma espécie de “nova atmosfera” social. Estaremos cada vez mais cercados de música, de movimento, de poética e de design nos próximos anos. Veios criativos pipocam por aí, e quanto maior a conectividade entre eles, maior é o fluxo criativo. A construção da pós-modernidade no século passado é revista atualmente, estamos vestindo novamente o figurino vintage, agora pelo avesso. Olhamos pra trás com um ar de já ter passado por tudo aquilo. Com isso, nos acostumamos com a ideia de coletivo criativo, vida em comunidade, auto-sustentação e contra-cultura. De novo. Mais novo.

Vai-se perder a razão, mas não a fé.

Todo ser humano é um artista em potencial. Já passamos de todas as fases de redescobertas do ser humano. Passou o cubismo. Passou Basquiat. Até o graffiti já passou. Agora, façamos o caminho inverso da modernidade. O que faltava ao artista, não falta mais. Mostre-se a quem quiser (te ver). Mas não queira ser o centro das atenções, isso não é saudável pra você, nem pra ninguém.

Ao invés disso encontre os outros, os iguais e os diferentes. Isso é a criatividade, que não pode ser mais exclusividade dos “gênios” – estes que já não tem mais o propósito de existir – descobrimos seu segredo: a criatividade vem dos outros, de copiar e reinventar. Remodelar. Tudo é remix. Os gênios são todos aqueles que descobriram a ingenuidade de descobrir as diferenças.

E o que está por vir? A compreensão? “Grandes estruturas abstratas”, com certeza. O mundo físico tomará um novo significado, o reinventaremos.

Mas não se esqueça: olhe pro lado e escute quem estiver ali. E diga isso a quem estiver do outro lado.

Fechado pra reformas.

Dando um tempo.

De vez em quando é preciso dar uma parada no que você tá fazendo, olhar pra trás e rever teus conceitos.

‘Será que…?’ é uma pergunta pertinente. Toda vez que lhe ocorrer isso, pare pra pensar.

Vi uma dessas palestras de marketing pessoal e me pintou uma crise de identidade em relação ao nome do blog: IMPLOSÃO DO SENTIDO.

Até que ponto isso faz sentido… pros outros? “Implosão” é uma palavra meio forte. “Sentido” é a metasubjetividade em si(cada um tem o seu).

Comecei a entrar nas pira de planejar o nome do blog, bonitinho, pensei em algo como AERIAL (minha “identidade virtual” agora é arialcardeal), mas descobri que já existe algo semelhante e é muito bom, recomendo.

Aí veio todo um conflito interno sobre o que eu tô fazendo(o clássico diabinho vs. anjinho dos desenhos animados): é pra mim ou pros outros?

A qualidade do conteúdo produzido não é inerente ao grau de doação de si do dito ‘artista’?

Ou será que arte é planejada? (vamos considerar ‘arte’ aqui como o termo pra expressão humana, ok? nada do aperfeiçoamento técnico comum por aí).

Aí eu voltei.

Talvez eu crie um outro blog pra falar de comunicação. Ou talvez MAIS um blog sobre mídias sociais. Ou um blog de contos. Ainda não sei. Tem quem ache que se livrar de tudo isso é o melhor, junto com o seu celular e o microondas.

Realmente, o nome do blog não importa e, se importa, é o de menos.

Bato o pé e digo que o que importa hoje é o conteúdo, sempre. O Peirce era complicado e nem por isso deixou de ser lido. Se o blog é teu canal com o mundo, a mensagem dele independe do nome, e é muito triste ficar preso a um nome. É triste curtir poesia e não poder postar um texto no seu blog porque ele é sobre mídias sociais. E aí você cria outro blog pra isso. E outro pra colocar vídeos. E outro pra… melhor não né? Quando te pedem um cartão de visita você dá um de cada coisa que faz?

Não importa que ninguém tenha lido Baudrillard e não entenda o que é IMPLOSÃO DO SENTIDO, porque decididamente isso não é um blog só sobre o cara ou comunicação.

Agora com menos posts, em virtude do TCC, mas ainda vivo. Keep going.

 

imagem: John Casey

‘saída pela loja de souvenirs’

Hoje é noite de tapete vermelho em Hollywood, e existe uma chance de ‘Exit Through The Gift Shop’ ganhar algum Oscar.

Li o post do Matias sobre o ‘fênomemo’ Banksy no cinema americano e fiz um comentário lá que achei digno de um post, já que tava me fazendo pra escrever sobre o filme faz tempo:

É a era dos Simulacros, e que não podemos sagrar como ‘era’.

Usando o exemplo de Baudrillard: se o sujeito simula todos os sintomas de que está doente, não seria ele então um doente? A simulação do louco não o configura como louco?

E se ‘Exit Through The Gift Shop’ já não fosse uma ideia pré-concebida por (quem quer que seja) Banksy, não seria, como já foi afirmado, mais uma ‘obra’ do cara?

Fora que toda essa mística em torno da figura Banksy ajudou a mitificar esse nome, e portanto, acho que podemos afirmar que Banksy é um Van Gogh em reverso. Banksy morreu (isso já apareceu em vários muros) e o Banksy ‘mito’ já ganhou o status de artista post-mortem, já tem a fama que só é alcançada por alguns artistas depois de morrer.

E aí pensa na revolução que é isso: uma figura anti-art aparece e reverte a cena da arte contemporânea. Eu arrisco a dizer que Banksy é o novo Duchamp.

Mas tem um porém: depois de Banksy existem limites a ser quebrados na arte? talvez a reversão do sentido da arte, e isso causaria uma implosão do sentido da mesma, uma vez que tenhamos chegado ao limite do que ‘é arte’, posto que não há mais limites.
Já não importa mais quem de fato É Banksy. Pra mim ele é o novo Jesus Cristo, de verdade.

 

Se você ainda não viu – ou quer ver de novo – pode baixar o torrent aqui.