a publicidade que perdeu a graça

O que a publicidade fazia tão bem antes, hoje qualquer um pode fazer. Até um tempo atrás o remix de imagens era um dos artifícios quase geniais usados pra ~~persuadir o consumidor~~.

“Quase”, porque hoje essa é a linguagem corrente da internet. Como disse o criador do 4Chan em entrevista ao Estadão:

Um dos motivos que tornou o 4Chan multicultural desde o início é o fato de ele usar imagens como principal meio de comunicação. E imagens transcendem a barreira da linguagem e da cultura. E elas também são inclusivas, permitindo que todos possam entender sem precisar ter o contexto da linguagem.

Não tem nada de mais. Imagens como essa abaixo afloram aos montes no Tumblr.     E agora, como fazer?

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Kitsch: a pedra fundamental da orkutização

Começo a pensar que a internet é como um metamapa de nossas vidas, do nosso mundo. E penso que essas “mídias sociais” são como um deserto (do Saara, quem sabe?), em que as pessoas são beduínos que migram de oásis para oásis, levando em seus camelos apenas o que conseguem levar. Na internet a bagagem é aquilo que carregamos e acumulamos desde o berço: o saber. O que o sujeito sabe é o que ele é, e traduz-se na maneira como ele se porta. É o Capital Social.

Logo, esses nômades estão sempre em busca de um terreno fértil onde possam assentar. Mas carregam consigo aquilo que vem de antes, e onde quer que estejam, adaptam seu acampamento aos terrenos. A analogia é do oásis com as diversas plataformas sociais existentes na internet, e a bagagem dos camelos é a linguagem que constitui a cultura.

Dessa forma pode ser explicado um dos fenômenos mais odiados entre os usuários do facebook no Brasil, a chamada “Orkutização” (é, de novo), que além de um fluxo gigante de spam e conteúdo de alto nível kitsch, é também o retrato da expressão digital de um povo. Não é mais uma questão de plataforma, nem uma consequência da “inclusão digital”. São tão díspares as classes sociais postando as mesmas correntes e outros tipos de mensagem “mastigada”, que é possível afirmar uma universalidade do fenômeno. E isso é algo além dos acessos às culturas, pois compreende também o acesso às linguagens, ferramentas culturais de mixagem de conteúdo.

Pra entender melhor, deveríamos estudar com mais ateção o kitsch e os fatores culturais ligados a ele. Enfim, tenha uma boa tarde.