Chico quer tc com vc

O Igor veio me mostrar o Chico Buarque explicando pro João Bosco o que era meme, e entramos na questão do Chico falando de internet. Com seus 60 e tantos anos, Chico consegue ser mais atual e sutil que muito artista novo por aí. Sente a sutileza da letra do novo disco, que fala sobre namoro à distância:
Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve
A naturalidade da letra não é tão difícil de entender, afinal o namoro à distância é algo quase tão antigo quanto a origem do termo “namorar.” Mas no mundo antes das telas, a carência de informação fosse talvez o charme da coisa, o “mostrar-se apenas o necessário” que suscitasse a curiosidade e impelisse ambos os lados a se conhecerem.
Com o excesso de informação atual é possível compor a própria imagem virtual a maneira que bem entender, de forma recíproca.
Se o vô e a vó pudessem fazer videoconferência pelo facebook, será que você estaria aqui hoje?

Fechado pra reformas.

Dando um tempo.

De vez em quando é preciso dar uma parada no que você tá fazendo, olhar pra trás e rever teus conceitos.

‘Será que…?’ é uma pergunta pertinente. Toda vez que lhe ocorrer isso, pare pra pensar.

Vi uma dessas palestras de marketing pessoal e me pintou uma crise de identidade em relação ao nome do blog: IMPLOSÃO DO SENTIDO.

Até que ponto isso faz sentido… pros outros? “Implosão” é uma palavra meio forte. “Sentido” é a metasubjetividade em si(cada um tem o seu).

Comecei a entrar nas pira de planejar o nome do blog, bonitinho, pensei em algo como AERIAL (minha “identidade virtual” agora é arialcardeal), mas descobri que já existe algo semelhante e é muito bom, recomendo.

Aí veio todo um conflito interno sobre o que eu tô fazendo(o clássico diabinho vs. anjinho dos desenhos animados): é pra mim ou pros outros?

A qualidade do conteúdo produzido não é inerente ao grau de doação de si do dito ‘artista’?

Ou será que arte é planejada? (vamos considerar ‘arte’ aqui como o termo pra expressão humana, ok? nada do aperfeiçoamento técnico comum por aí).

Aí eu voltei.

Talvez eu crie um outro blog pra falar de comunicação. Ou talvez MAIS um blog sobre mídias sociais. Ou um blog de contos. Ainda não sei. Tem quem ache que se livrar de tudo isso é o melhor, junto com o seu celular e o microondas.

Realmente, o nome do blog não importa e, se importa, é o de menos.

Bato o pé e digo que o que importa hoje é o conteúdo, sempre. O Peirce era complicado e nem por isso deixou de ser lido. Se o blog é teu canal com o mundo, a mensagem dele independe do nome, e é muito triste ficar preso a um nome. É triste curtir poesia e não poder postar um texto no seu blog porque ele é sobre mídias sociais. E aí você cria outro blog pra isso. E outro pra colocar vídeos. E outro pra… melhor não né? Quando te pedem um cartão de visita você dá um de cada coisa que faz?

Não importa que ninguém tenha lido Baudrillard e não entenda o que é IMPLOSÃO DO SENTIDO, porque decididamente isso não é um blog só sobre o cara ou comunicação.

Agora com menos posts, em virtude do TCC, mas ainda vivo. Keep going.

 

imagem: John Casey

‘saída pela loja de souvenirs’

Hoje é noite de tapete vermelho em Hollywood, e existe uma chance de ‘Exit Through The Gift Shop’ ganhar algum Oscar.

Li o post do Matias sobre o ‘fênomemo’ Banksy no cinema americano e fiz um comentário lá que achei digno de um post, já que tava me fazendo pra escrever sobre o filme faz tempo:

É a era dos Simulacros, e que não podemos sagrar como ‘era’.

Usando o exemplo de Baudrillard: se o sujeito simula todos os sintomas de que está doente, não seria ele então um doente? A simulação do louco não o configura como louco?

E se ‘Exit Through The Gift Shop’ já não fosse uma ideia pré-concebida por (quem quer que seja) Banksy, não seria, como já foi afirmado, mais uma ‘obra’ do cara?

Fora que toda essa mística em torno da figura Banksy ajudou a mitificar esse nome, e portanto, acho que podemos afirmar que Banksy é um Van Gogh em reverso. Banksy morreu (isso já apareceu em vários muros) e o Banksy ‘mito’ já ganhou o status de artista post-mortem, já tem a fama que só é alcançada por alguns artistas depois de morrer.

E aí pensa na revolução que é isso: uma figura anti-art aparece e reverte a cena da arte contemporânea. Eu arrisco a dizer que Banksy é o novo Duchamp.

Mas tem um porém: depois de Banksy existem limites a ser quebrados na arte? talvez a reversão do sentido da arte, e isso causaria uma implosão do sentido da mesma, uma vez que tenhamos chegado ao limite do que ‘é arte’, posto que não há mais limites.
Já não importa mais quem de fato É Banksy. Pra mim ele é o novo Jesus Cristo, de verdade.

 

Se você ainda não viu – ou quer ver de novo – pode baixar o torrent aqui.