Taste the nectar, feel the pulse

Não sei se vocês já conhecem o Nectar & Pulse: duas amigas austríacas que fazem uns guias de cidade personalizados, como um couchsurfing, só que mais direcionado.
Funciona assim: elas encontram umas pessoas na cidade que sejam bons cicerones, que saibam tudo sobre a cidade; entrevistam elas a fim de entender melhor suas personalidades; essas pessoas dão dicas dos melhores lugares na cidade pra se fazer coisas (coisas whatever); você enta no site, busca a cidade que vai visitar, pesquisa os perfis dos cicerones e vê com qual você mais se identifica. Aí tu compra o guia e é feliz. 🙂

“You haven’t met yourself yet. But the advantage to meeting others in the meantime is that one of them may present you to yourself.”

Tem uma parte do “Waking Life” em que o guri encontra um cara num pátio, e este lhe fala: “Você não se encontrou ainda. Mas a vantagem de encontrar os outros é que um deles pode lhe apresentar a si mesmo.”

Quem somos nós se não espelhos uns dos outros? Nos relacionamos com aqueles que se nos assemelham, que nos espelham. Buscamos a empatia do próximo justamente para… nos descobrir. É importante fazer essa ponte entre essas pessoas-espelho, apresentando-os uns aos outros, permitindo que eles tenham conhecimento de outros fragmentos de seus espelhos, coisas de si que eles nem imaginavam. Se as pessoas se descobrirem dessa forma, reconhecendo-se no outro, talvez possamos viver em um mundo melhor, em breve.

Como diz Clóvis de Barros, em “O Mundo Percebido”:

“mas o mundo tá cheio de tiranos, pessoas que fazem questão que todos concordem com ele. (…) e assim, de tirano em tirano, guerras por perspectiva, guerras por percepção.”